Os Heavy/Thrashers, apropriadamente chamados Neo-Thrashers, paulistanos do VÁLVERA lançaram seu fantástico e sinistro novo videoclipe para a faixa “The Damn Colony” no canal oficial da banda no Youtube.

“The Damn Colony”, faixa presente no aclamado e elogiado trabalho da banda, “Cycle Of Disaster”, que teve seu vídeo pré-lançado dois dias antes em parceria com a Metal Hammer Portugal, é uma faixa baseada na horrenda história do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Fundado em 1903 e com capacidade para 200 leitos, o hospital contava com uma média de 5.000 mil pacientes em 1961 e ficou conhecido pelo genocídio em massa ocorrido especialmente entre as décadas de 60 e 80. Trens com vagões lotados (chamados de “trens de doido”), semelhantes aos dos campos de concentração alemães, despejavam diariamente os “dejetos humanos” para “tratamento” no hospital.

Assista “The Damn Colony” (Official Video):

“É um assunto realmente horrendo, sinistro e até inacreditável de se acreditar. Nesse hospital, as roupas das pessoas eram arrancadas, seus cabelos raspados e seus nomes apagados. Nus no corpo e na identidade, a humanidade sequestrada, homens, mulheres e até mesmo crianças comiam ratos e fezes, bebiam esgoto ou urina, dormiam sobre capim, eram espancados e violentados até a morte”, comentou Gabriel Prado.

Estima-se que cerca de 70% dos internados não tinham qualquer diagnóstico de doença mental. O hospital era destinado para a contenção dos indesejáveis, com função de higienização e sanitarismo da localidade, ou seja, “pessoas não agradáveis e incômodas” para alguém com mais poder, como opositores políticos, prostitutas, homossexuais, mendigos, pessoas sem documentos, epiléticos, alcoolistas, meninas grávidas e violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, entre outros grupos marginalizados na sociedade.

“Os pacientes do Colônia morriam de frio, de fome, de doença. Morriam também de choque. Em alguns dias os eletrochoques eram tantos e tão fortes que a sobrecarga derrubava a rede do município. Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia e ao morrer, davam lucro. Entre 1969 e 1980, mais de 1.800 corpos de pacientes do manicômio foram vendidos para 17 faculdades de medicina do país, sem que ninguém questionasse. Quando houve excesso de cadáveres e o mercado encolheu, os corpos passaram a ser decompostos em ácido, no pátio da Colônia, na frente dos pacientes ainda vivos, para que as ossadas pudessem ser comercializadas”, comentou Rodrigo Torres.

O psiquiatra italiano Franco Basaglia, pioneiro na luta antimanicomial na Itália, esteve no Brasil e conheceu o Colônia em 1979. Na ocasião, chamou uma coletiva de imprensa e desabafou: “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo, presenciei uma tragédia como essa.”

“Os números exorbitantes e silenciados (por mais de 50 anos) das execuções sumárias, frias e violentas que ocorreram no hospital Colônia de Barbacena superam, e muito, as mortes registradas e ocultadas na ditadura militar brasileira (dentre índios, camponeses, perseguidos políticos etc.). Superam inclusive os números das mais sangrentas ditaduras da América Latina, Chile com mais de 40 mil e Argentina com mais de 30 mil mortos”, comentou Glauber Barreto.

“Como artistas que somos, temos a obrigação de falar, de ser a voz do povo, de trazer perguntas e respostas para que as coisas assim nunca mais aconteçam”, finalizou Leandro Peixoto.

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