Quando os canadenses do Unleash The Archers lançaram em 2017 o fodástico “Apex”, que conta a historia de Immortal (é o nome do personagem, não a banda) e Matriarch na busca dos filhos desta, ninguém esperava que eles teriam tanto êxito, com um disco sem grandes pretenções.

E como time que está ganhando não se mexe a banda decidiu em “Abyss” dar sequência a estória de Immortal exatamente de onde ela acabou no disco anterior.

Seguindo sem a pretensa grandiloquência das “metal operas” (fórmula que ficou extremamente desgastada), mas de forma coesa e consistente, Abyss pode até não alcançar o mesmo êxito de seu antecessor, mas ainda sim é um baita trabalho.

A banda capricha no power metal tradicional, vibrante e enérgico, com riffs que esbanjam criatividade somados a uma ambientação precisa e grandiosa com dezenas de influências que enriquecem ainda mais a massa sonora do CD.

Um dos principais aspectos que avalio em um disco, logo na primeira audição, é a parte da produção. Geralmente ao ouço os discos com headphones (daqueles de monitoração de estúdio mesmo, nada de fone mequetrefe de dez “conto”) no escuro de olhos fechados, para prestar atenção em cada detalhe (chaaatooooo, sim, eu mesmo).

Cara, que pouta produção!!! Apesar da sonoridade avassaladora, é possível perceber os mínimos detalhes acrescentados nas músicas, mesmo as melodias mais suaves delicadas

Outro aspecto importantíssimo é evolução técnica da banda em geral. A vocalista Brittney Slayes continua com uma ferocidade e uma amplitude absurda. A bateria de Scott Buchanan cada vez mais precisa e viceral, enquanto o tralhado de guitarras da dupla Grant Truesdell e Andrew Kingsley esbanja criatividade .

Abyss pode não alcançar o sucesso de Apex, mas com certeza mostra que a banda tem um caminho muito promissor