Durante uma longa entrevista realizada pela Brooklin Vegan, Roger Waters comentou os eventos ocorridos no Brasil em outubro de 2018, quando sua turnê “Us + Then” passou pelo país e causou polêmica devido aos seus posicionamentos políticos.

Ao ser perguntado se sua ligação com o BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) resultou em protestos pedindo o cancelamento de alguns de seus shows também fora dos EUA, assim como aconteceu naquele país, Roger respondeu: “Sim! No exterior, bem, eles ameaçaram me jogar na prisão no Brasil por eu estar me envolvendo no seu processo de eleição, ao me juntar com o movimento #EleNão, que fracassou. Você sabe que Bolsonaro, o fascista Bolsonaro, foi eleito apesar da resistência a ele. Eu queria ir visitar Lula quando chegamos ao sul aonde ele está preso mas o juiz local me negou esta oportunidade. Pois era um momento muito sensível, as eleições estavam chegando…. obviamente o único motivo pelo qual Lula está preso é porque ele teria ganho as eleições com as mãos amarradas nas costas se deixassem ele ficar em pé, o que ele não pode fazer por ter sido preso sob falsas acusações de corrupção. No Ocidente dizem ´Ah sim, outro político corrupto´. Não, ele não é um político corrupto, ele está na prisão por acusações forjadas contra ele pelo sistema que está no poder lá no Brasil…”

Mais adiante, o entrevistador pergunta se houve algum protesto violento e ele se sentiu em perigo de fato após os comentários anti-Bolsonaro em São Paulo, e Roger explicou: “Minha equipe de segurança estava tentando me levar pra outro hotel e não ficar no Rio e blá blá blá mas eu disse: ´Não, não vou mudar de hotel. Entendo que vocês sejam profissionais e estão fazendo seu trabalho, mas não´. Talvez eu esteja sendo extremamente ingênuo, pois na verdade já fui avisado muitos anos antes em Nova Iorque”, e depois emenda com uma longa história relatando ter sido ameaçado pela própria CIA nos EUA, finalizando este trecho dizendo que ele é uma pedra no sapato do Mossad, mas sabe que se eles quisessem matá-lo de fato já teriam feito, e que ele tem mais medo de fãs malucos e isolados tipo o Mark Chapman do que de instituições governamentais.

Por fim, em outro trecho, Waters comenta a cisão que aconteceu em sua base de fãs, com muitos apoiando e muitos rejeitando suas posturas políticas: “Se você é um fã de longa data do Pink Floyd e eu te perguntasse quais são suas músicas favoritas, elas certamente estariam em algum lugar entre o ´Meddle´ e o ´Final Cut´. É assim que são as coisas, é assim que as pessoas se sentem. Mas há pessoas que não se fazem esta perguntam e pensam ´Ah, ele era um idiota autoritário que acabou com a banda e nós o odiamos´ estão perdendo o ponto, completamente. É uma loucura. Então quando eles dizem ´Não vim aqui ouvir suas opiniões políticas´ a resposta é ´Então por qual motivo você veio?´. Você não precisa concordar com a parte política. Mas tudo começou nas turnês do ´Amused to Death e ´Leaving Beirut´ quando começaram a deixar os shows reclamando e exigindo o dinheiro de volta. Mas a questão é que eles realmente nunca fizeram ideia de quem eu sou ou o que eu fazia. As pessoas pensavam que sabiam, mas descobriram que não sabiam”.

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Fã de sludge/stoner/doom e bandas pontuais de várias outras vertentes. Paulistano esperando a volta segura de shows, fã de uma boa competição, seja ela qual for. Aqui na Rede Metal faz curadoria e publicação de conteúdo e toda parte administrativa e estratégica.