Inanimalia: Victor Prado de Carlo, Thales Carosia, Alessandra Lodoli, Vagner Venâncio e Marcelo Parente

O Inanimalia é uma banda de metal extremo de Ribeirão Preto-SP, formada em 2016 com a proposta de trazer músicas com influências melódicas de diversos estilos musicais e letras com temáticas filosóficas, e se em seu primeiro registro, o ótimo EP “The Message” a banda mostrou um death metal bruto e visceral, o novo disco não deixa pedra sob pedra.

Lançado este ano, “Intrínseco” é um espetáculo de brutalidade, talento e técnica, aliados á muita criatividade e uma produção acima da média. O som da banda traz muitas influências de metal extremo e passeia sossegadamente entre o death e o black, com alguns toques de doom, sem se prender em nenhum estilo específico, e mantendo uma linha melódica muito inteligente e arrojada.

A faixa de abertura “I am the Lion” começa de forma sombria e cadenciada com o baixo “na cara” ditando o andamento junto com a bateria e as guitarras apenas marcando até o inicio da harmonia, onde a atmosfera fica ainda mais densa e explode em um refrão fantástico, onde as harmonias vocais de Alessandra Lodoli simplesmente destroem tudo (no melhor sentido da palavra). FODASTICA!!!

“Eyes of Isis” inicia de forma mais delicada e exótica, graças a escala oriental tocada pelas guitarras, e uma batida que lembra muito a música árabe. Esse clima se mantém durante toda música, mesmo nas parte mais pesadas onde temos uma alternância entre o doom cadenciado e uma trecho mais death e acelerado.

Na sequência “Butterfly” já inicia de forma vigorosa, e após um breve trecho onde o baixo mais uma vez vem á frente do resto da banda, a banda desce o sarrafo sem dó nos instrumentos, porém mantendo as linhas melódicas e o equilíbrio entre ambos. Nesta faixa temos uma sequência belíssima de solos, começando com o baixo e seguida dois de guitarra.

A penúltima música do EP chama-se “Umbral”, que na doutrina espírita o Umbral é um estado ou lugar transitório por onde passam as pessoas que não souberam aproveitar a oportunidade de evolução em sua vida na Terra. Em outras palavras podemos considerá-lo como um lugar de trevas e dor. Aqui sem dúvida a banda mostra não apenas talento, mas inteligência, pois a letra em português transmite com perfeição essa sensação de angústia. Simplesmente a mais foda do disco.

Depois deste passeio agonizante chegamos a “Homo Divinus” que fecha o material de forma grandiosa. Mais uma vez essa “criminosa” chamada Alessandra Lodoli rouba a cena com suas harmonias vocais, alternando em limpos e guturais. Vale destacar que os guturais dela soam extremamente naturais, por mais difícil que isso pareça, muito diferente de algumas “queridinhas” do grande público que soam demasiadamente artificiais.

Mas é claro que o trabalho não teria um nível tão alto de qualidade se banda formada por Victor Prado e Marcelo Parente nas guitarras , Thales Carosia no baixo e Vagner Venâncio na bateria não fosse igualmente impecável em seus respectivos instrumentos.

O trabalho com um todo é poderoso, magnífico e muito bem produzido. Não vejo a hora de vê-los e ouvi-los ao vivo.