Pela primeira vez no Brasil e através da produtora Balaclava Records para promover o seu novo álbum, “You Won’t Get What You Want”, que fez a banda sair de um hiato de 8 anos sem lançar material novo, o DAUGHTERS mostrou aos fãs um lado ainda mais dark da banda, mais denso e intenso, aliado ao seu noise rock característico com alusões industriais, algo impossível de rotular!

Texto: Edu Escobar
Fotos: Fernando Yokota

Mas antes da atração principal, vale uma menção à banda de abertura, a ODRADEK, de Piracicaba, São Paulo, mostrando seu Math Rock em uma apresentação curta, mas que foi muito bem recebida pelo público que já entrara em bom número na casa. Foi uma grata surpresa, pois não os conhecia, apesar de seus 3 discos já lançados. Vale a pena procurar por eles!

Pra quem já conhece a banda ou ouviu relatos, sabe que, sobretudo o vocalista Alexis S.F. Marshall, faz uma performance ímpar no palco, maltratando seus microfones, e se maltratando também, com o objetivo de tirar toda a distorção caótica presente na musicalidade proposta, e essas características sobraram durante as quase 1h30 de show.

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Ainda sobre o vocalista Alexis, este teve o público na mão a todo instante, e às vezes em sua língua também: batia o microfone ritmicamente no palco, em seu corpo, e isso fazia a platéia acompanha-lo com palmas; se livrava gradualmente da parte de cima das suas peças de roupas; tentava engolir seus microfones e sua mão em alguns momentos, aumentando o apelo dramático e agoniante de sua persona.

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O caos deliberado da banda foi crescente e convidativo, e quem estava mais à frente foi ficando mais aglomerado ainda, foi também formando rodas de bate cabeça em momentos-chave. E quem estava menos acometido e mais afastado assistia a todo um cenário ainda melhor lapidado, ou simplesmente fechava os olhos e mergulhava na obscuridão.

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E eu, vindo da ala headbanger do público, fiquei muito satisfeito com algumas coisas que acontecem, na verdade, coisas que não acontecem em shows de bandas mais alternativas, ou ao menos não aconteceu no show do DAUGHTERS: não tivemos a presença daqueles fãs que querem mostrar que são o melhor público possível, seja com cânticos exagerados, ou os famigerados olês, olês! A atmosfera naturalmente formada entre banda e público era mais do que suficiente!

Quem esteve no domingo, 12 de Maio, no Fabrique Club, pôde ter uma grande amostra do que significaria um apocalipse anunciado: o fim anunciado por teclados e baterias em seu seu último preparativo ritualístico; o trio de cordas com a distorção massacrante; a desolação e a agonia nas vozes de Alexis; e uma banda que causa êxtase, mostrando que no fim você não vai conseguir o que quer, e isso será doloroso, obscuro, maldito, porém, prazeroso até não sobrar mais nada!

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Set-list da noite:
The Reason They Hate Me
The Lords Song
Satan in the Wait
The Dead Singer
Recorded Inside a Pyramid
Our Queens (One Is Many, Many Are One)
Long Road, No Turns
Daughters Spelled Wrong
Less Sex
The Hit
The Virgin
Guest House
Daughter
Ocean Song

Saiba mais sobre DAUGHTERS.

Fã de sludge/stoner/doom e bandas pontuais de várias outras vertentes. Paulistano esperando a volta segura de shows, fã de uma boa competição, seja ela qual for. Aqui na Rede Metal faz curadoria e publicação de conteúdo e toda parte administrativa e estratégica.