Quando uma de suas bandas favoritas, com uma sólida discografia e mais de 15 anos de estrada, finalmente vem ao Brasil, fica difícil manter a imparcialidade, ainda mais quando a apresentação tem uma qualidade técnica tão fiel aos álbuns de estúdio e tão profunda quanto o palco necessita!

Texto: Eduardo Escobar
Fotos: Fernando Yokota

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A banda BARONESS, de Savannah, Georgia, EUA, capitaneada por John Baizley, que é o único integrante remanescente da primeira formação, se apresentou em show único no Brasil, no Fabrique Club, localizado na cidade de São Paulo, como parte de uma pequena turnê pela América Latina que também passou por México, Chile e Argentina.

Antes da banda principal, a mineira de Belo Horizonte CARAHTER, que agitou bastante a casa que já estava lotada antes mesmo do show de abertura começar. Um dos destaques da banda, certamente foi a música TVRVØ, que trata sobre a tragédia de Mariana e de Brumadinho, e que seguem impunes até hoje; a música foi bastante aplaudida durante sua execução. A banda, formada por Renato (vocais), Debarry e Digo (guitarra), Grilo (baixo) e Pudi (bateria), também aproveitou para divulgar o seu novo EP “Full Being” que saiu do forno dias antes do show, inclusive o EP estava sendo vendido no formato K7 na lojinha própria, instalada na casa de show.

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Setlist:
01. Descending
02. Ripping Flags
03. TVRVØ
04. The Cult
05. Invisible
06. Full Being
07. Hydra

Em plena promoção de seu mais novo álbum, “Gold & Grey”, lançado há exatos 10 dias antes do show em São Paulo, o BARONESS , formado por John Baizley (vocais, guitarra), Nick Jost (baixo, teclado), Sebastian Thomson (bateria) e Gina Gleason (vocais, guitarra) começou o show com a música “A Horse Called Golgotha”, e emendou “Morningstar”. Posso afirmar que eu nunca tinha visto uma público tão enérgico no Fabrique Club logo no início do show, era nítida a surpresa por parte da banda inicialmente!

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A atmosfera era tão boa que a banda ainda nem precisaria usar a carta de uma de suas músicas principais, a “March to the Sea”, do álbum “Yellow & Green”, que contou até com os famigerados “Ôôôs”, que entoei junto, obviamente!

A primeira aparição de uma faixa do novo álbum foi a “Borderlines”, o primeiro single de Gold & Grey, que ao vivo não é uma faixa do tipo que se canta junto, mais se aprecia, apesar de intensa.

Interessante como a banda se utiliza de suas músicas instrumentais para marcar pautar as fases do show, a primeira a aparecer foi a “Green Theme”, onde o público até conseguiu acompanhar a banda nas palmas acompanhando o ritmo.

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“I’m Already Gone” e “Tourniquet”, ambas do novo álbum, marcaram o ponto mais ameno do show, justamente por serem os dois últimos singles lançados, então nem todo o público estava familiarizado completamente, mas são boas faixas, e que causaram uma interessante diversidade musical.

“Shock Me”, certamente a melhor faixa do “Purple” (2015), deu as caras e trouxe consigo a energia da platéia que cantou o refrão a plenos pulmões. Nessa música, a bateria de Sebastian Thomson é bastante imperativa, sobretudo no pré-solo, abrindo o ponto alto do show.

A grande obra, “Eula”, não poderia começar de forma mais brilhante e carregada de sentimento: por um momento, apenas com a voz de John Baizley, depois, com as guitarras ecoando mais cadenciadas e com o verso sendo cantado, para que só então, a música realmente começasse. O arranjo foi lindo, e a música, como era de se esperar, foi o ápice do show!

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“Chlorine & Wine” também é outra faixa que funciona muito ao vivo, com o instrumental que inicialmente acalma os ânimos, que é a marca registrada da banda, até crescer completamente no refrão dobrando as guitarras nas partes mais agudas, dando um resultado bem legal ao vivo!

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“Can Oscura”, uma faixa instrumental do novo álbum, é mais experimental, na verdade, é tão curta que é uma ponte entre faixas.

Em “Seasons”, também uma das faixas novas, porém, mais conhecida por ter saído como single há mais tempo, foi a última antes da banda se retirar, nela, aconteceu algo inusitado: quase no final da música as cordas das guitarras de John e Gina quebraram ao mesmo tempo, forçando a banda ter que encerrar a música, para trocar de instrumentos.

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Na verdade foi uma parte bem legal, pois deu tempo de John conversar bastante com o público, muito além de simples agradecimentos pela noite. Foi engraçado ver ele comentando sobre um meme recorrente, o “Come to Brazil”, que eles sempre recebem em suas redes sociais, não importa o assunto. O vocalista ainda mostrou estar muito feliz em finalmente estar vindo tocar no Brasil, e se desculpou dizendo que jamais ignorou os fãs daqui, mesmo tendo demorado tanto para vir.

A banda encerrou o show com uma faixa do álbum Blue Record “The Gnashing” e se retirou aos gritos de “Baroness, Baroness”.

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Sem muita demora, a banda retornou e os primeiros acordes da instrumental “Ogeechee Hymnal” foram ouvidos, mais uma faixa prelúdio para a única faixa The Red Album, “Isak”, que demonstra como o som da banda foi se modificando nos detalhes.

“Take My Bones Away” fechou a noite com chave de ouro, e não seria para menos, já que se tornou o grande clássico da banda, em uma noite cheia de energia recíproca!

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Setlist:

  1. A Horse Called Golgotha
  2. Morningstar
  3. March to the Sea
  4. Borderlines
  5. Green Theme
  6. I’m Already Gone
  7. Tourniquet
  8. Shock Me
  9. Eula
  10. Chlorine & Wine
  11. Can Oscura
  12. Seasons
  13. The Gnashing
    Encore:
  14. Ogeechee Hymnal
  15. Isak
  16. Take My Bones Away

A título de informação, músicas de todos os 5 álbuns de estúdio foram tocadas, contemplando a grande paleta de cores que a banda trás, não apenas em suas capas, mas em sua sonoridade.

O show teve a produção da Liberation MC.
Agradecimentos à The Ultimate Music pelo credenciamento!

Fã de sludge/stoner/doom e bandas pontuais de várias outras vertentes. Paulistano esperando a volta segura de shows, fã de uma boa competição, seja ela qual for. Aqui na Rede Metal faz curadoria e publicação de conteúdo e toda parte administrativa e estratégica.